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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Nena e Adãozinho no time convocado para a Copa do Mundo de 1950 no Brasil.

Na Copa do Mundo de 1950 o Rio Grande do Sul foi representado por dois jogadores do Sport Clube Internacional - Nena, zagueiro, e Adãozinho, atacante. Nenhum deles foi titular no time de Flávio Costa, assim como não o foi Tesourinha - craque cortado da disputa por causa de uma lesão no menisco, quando jogava pelo Vasco da Gama, do Rio. Nena - nascido em Porto Alegre - morreu aos 87 anos, tendo, junto com Adãozinho, participado do Rolo Compressor colorado de 1940 a 45. Nesta reprodução do Correio do Povo noticia-se a convocação dos dois jogadores.

sábado, 21 de julho de 2018

Força e Luz, outro clube que desapareceu do cenário esportivo de Porto Alegre

Um dos pequenos grandes clubes da capital, o Força e Luz é outra agremiação esportiva que não mais existe. Formado, em sua origem, por funcionários da Carris - empresa pública de bondes - o Força e Luz chegou a ter o melhor estádio de Porto Alegre - localizado onde, dizem, será mais um hipermercado Bourbon, entre a Ipiranga e a Protásio Alves, nas proximidades do quartel dos Bombeiros. O "estádio" da Timbaúva - esse era o nome - sediou grandes jogos, embora fosse uma modestíssima quadra de esportes, como eram todos os centros esportivos da primeira metade do século 20 em Porto Alegre. Mas o "ferrinho" tem suas glórias e sua história, como se vê nesta matéria do Correio do Povo de 1935.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Campeão de 1976, Inter teve apenas três derrotas em um campeonato com 54 equipes


O Sport Clube Internacional sagrou-se bicampeão brasileiro de futebol em 1976, com um timaço que marcou época, comandado pelo paulista Rubens Minelli. Com 19 vitórias, alguns empates e apenas três derrotas, o colorado teve o goleador da competição, Dario, o "Dadá Maravilha", e o melhor jogador, Figueroa. A final foi contra o Corinthias, em um jogo só, no Beira-Rio Lotado, com placar de 2 a 0 para o Inter. 
Por capricho do regime militar, que queria agradar aos Estados, o certame teve 54 equipes participantes, algumas tão inexpressivas como o Confiança, de Sergipe, e o Uberaba, de Minas Gerais. O jogo da decisão final aconteceu a 12 de dezembro e sobre ele escreveu o jornalista Mino Carta, então no Jornal da Tarde e editor da revista Quatro Rodas, ambas de São Paulo. O título era "Se eu fosse marciano não estaria entendendo nada", reproduzido pelo Correio do Povo

Tesourinha, o sorriso largo no craque fabuloso

Tesourinha, em matéria da Revista do Globo de 1946, escrita por Cid Pinheiro Cabral.


17 de junho de 1979, uma noite de sábado para domingo, é uma data triste para o futebol gaúcho e brasileiro. Nesse dia, em Porto Alegre, falecia Osmar Fortes Barcelos, mais conhecido por Tesourinha. Um dos maiores pontas-direitas do futebol brasileiro encerrava a vida com apenas 57 anos, vítima de um câncer no estômago, deixando, atrás de si, uma lenda futebolística e um modelo a ser seguido. Mito do Internacional, carro-chefe do famoso Rolo Compressor que foi hexacampeão gaúcho, de 1940 a 1945, Tesourinha ganhou esse apelido pelo fato de seu pai integrar um famoso bloco carnavalesco da capital, o Tesouras, formado em sua maioria por negros, e que marcou época nos anos 20, 30 e 40. Ele foi o primeiro jogador negro da história do Grêmio Porto-alegrense, onde também jogou, dando fim a um período de discriminação racial no hoje popular e democrático clube gaúcho.
Tesourinha foi campeão sul-americano pela Seleção Brasileira nos anos quarenta, formando ao lado de Heleno de Freitas, Zizinho, Jair e Ademir, e só não participou da malograda Copa do Mundo de 1950 no Brasil, aquela do Maracanaço, por ter estourado os meniscos quando jogava pelo Vasco, clube para o qual se transferiu no início daquele ano, naquela que foi considerada a maior transação do futebol brasileiro da época. Muitos consideram que sua ausência foi uma das causas da perda do título para o Uruguai.
Nascido em 3 de outubro de 1921, de família pobre, no bairro pobre da Ilhota, a primeira grande favela de Porto Alegre, era filho de um motorista e de uma dona de casa. Seu pai faleceu quando ele tinha apenas 12 anos. Começou a jogar futebol em criança, em um dos times da famosa Liga da Canela Preta, uma associação de jogadores de cor que se contrapunha ao racismo imperante no esporte de então. Em 1940 Tesourinha já estava no Internacional de Porto Alegre, onde ficaria por dez anos, formando o temível ataque colorado com Vilalba, Russinho, Ruy e Carlitos. Em 1946, ao final do campeonato sul-americano, atual Copa América, vencido pelo Brasil, Tesourinha foi escolhido pela crítica “o maior ponteiro da América”. Mais tarde ganhou o título de “Craque Melhoral”, distinção concedido por uma empresa de medicamentos ao melhor jogador brasileiro do ano,
Tesourinha foi comprado pelo Vasco no final de 1949, e o Vasco era o mais caro e vitorioso time da época, a base da seleção brasileira. Porém o problema no joelho fez com que pouco durasse em São Januário. Em 1952, já com seus trinta anos, foi contratado pelo Grêmio, Grêmio que no ano seguinte completaria 50 anos de glórias. O garoto pobre da Ilhota voltava à terrinha.
Mas Tesourinha era colorado de coração e foi no Inter onde jogou o fino. Em 1969, quando da inauguração do Gigante da Beira-Rio, foi homenageado pela nação colorada. Com lágrimas nos olhos, retirou, como merecido troféu, as redes das goleiras do velho Estádio dos Eucaliptos, palco das suas grandes atuações pelo Internacional. Defensor da classe esportiva e do futebol varzeano, onde se formou, Osmar Fortes Barcelos foi laureado postumamente com a Copa Tesourinha de Futebol Amador da Federação Gaúcha de Futebol e com um centro esportivo que leva seu nome. Ele sempre dizia, com orgulho: “Vim da várzea, me torneio ídolo e não posso negar meu apoio visando melhorar a estrutura desse futebol varzeano, de onde saem os grandes craques. É lá onde tudo começa”
Logo após a sua morte, em uma crônica no velho Correio do Povo, o jornalista e colorado Valter Galvani fala da honra de ter conhecido Tesourinha, o craque fabuloso, e Osmar Fortes Barcelos, o homem afável de sorriso largo. Menino vindo do interior, lembrando da primeira vez que o viu jogar, Galvani escreveu a 24 de junho de 1979 a crônica “Tesoura, um Certo Sorriso”: “Eu diria que o vi em campo, naquela longínqua tarde de 1944, com o seu largo sorriso. Tesourinha foi um herói a seu modo, um herói modesto, simples e calmo, capaz de levar as plateias até o delírio. Nunca esqueci suas jogadas, mas jamais esquecerei o seu sorriso de bondade.”






Colorados se despedem de Figueroa e Minelli em jogo festivo: dezembro de 1976

Os torcedores colorados mais antigos certamente lembram com saudade da equipe de 1976, bicampeã brasileira consecutiva e, depois, considerada o time da década de 70 pela crítica esportiva. Pois há exatamente 40 anos acontecia o jogo de despedida de dois ícones vermelhos - Dom Elias Figueroa, o zagueiro chileno, e o técnico Rubens Minelli, um paulista que revolucionou o futebol gaúcho. Minelli estava há três anos no Beira-Rio e Figueroa alguns anos mais. Minelli voltava para São Paulo e Figueroa para a sua terra, o Chile, onde jogaria pelo Palestino, um modeste clube que só ganharia dois títulos nacionais - o segundo, em 1978, com dom Elias no comando. . O jogo festivo aconteceria no Beira-Rio, em um domingo, 19 de dezembro, contra o selecionado brasileiro dirigido por Cláudio Coutinho e com a presença do grande craque da época, Zico. O árbitro da partido depois se tornaria comentarista de arbitragem na televisão - José Roberto Wrigh. Reprodução do CP.